A Chuva é molhada



Estamos em pleno inverno, chove lá fora, aqui a mãe está como o tempo, aborrecida, já a princesa começa a tirar-me a vez, começa a ficar inquieta e birrenta. Começo a perder a paciência, (nem sei se começo a perder, se já acordei sem ela). CALMA   mãe! É uma criança que ainda não sabe bem gerir as frustrações ( e será que aqui a adulta sabe?)

(Ora bem, bora lá magicar)

– Princesa, vamos para a rua apanhar ar? Acho que estamos as duas a precisar de sair de casa.

– Mas mamã, está a chover e a chuva é molhada!

– (Risos) Melhor ainda!!! Anda, vamos calçar os botins e vestir o casaco. Queres ir brincar nas poças de água com a mãe? Depois, quando já estiver-mos todas encharcadas, voltamos a entrar em casa, toma-mos um banho quentinho e lanchamos. O que dizes?

– SIIIMMMMM (uns dos maiores sim’s do mundo), vamos brincar de baixo da chuva molhada

.

 

 

Na verdade, quando nos torna-mos adultos (embora ninguém nos diga quando foi a data ao certo), esquecemos-nos da verdadeira essência de ser-mos livres. Ah que saudade da infância em que não existia qualquer preocupação.

E depois? não posso ter os meus devaneios? Não posso ir dançar de baixo da chuva? Não posso ir saltar para as poças de água? Não posso voltar a sentir-me livre? Nem que seja somente por instantes? Sim! Porque depois tenho que voltar ao papel de adulta responsável e lembrar.me que temos que tomar um banho bem quente para não ficar-mos doente.

Mas uma coisa eu vos garanto. São nas coisa simples que realmente conseguimos voltar, lá aquele lugar que o tempo teima em distanciar.

Neste dia, na hora de dormir, deitadas na cama, leio a historia de dormir e digo a frase habitual: ” Tem uma noite feliz com sonhos cor-de-rosa, amo-te muito”. Vou para me levantar, sim! Porque a cozinha estava por arrumar e não, não se arruma sozinha, embora que seria prefeito se assim fosse. Recuei e voltei a sentar-me na cama ao seu lado, fiquei ali, não sei quanto tempo, mas fiquei a olhar para ela, já dormia, parecia que estava tão descansada, ouso mesmo em dizer feliz. Acredito, eu também o sentia. Sabem aquela sensação no peito, que nos faz sorrir? Acho que não consigo passar para palavras aquele sentimento de realização e de satisfação. Mas afinal o que tinha sido diferente? Pois claro, tinha deixado a criança que há em mim sair cá para fora durante alguns momentos, criança essa que renovou aqui a adulta por quase mais 2 anos.

O melhor de tudo, partilhei esse momento com a princesa.

Sim filha! A chuva é molhada! E eu adoro.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *